Casos de Esporotricose em Marituba
A cidade de Marituba, situada na Região Metropolitana de Belém, registrou pela primeira vez casos de esporotricose humana, uma doença infecciosa causada por fungos do gênero Sporothrix. De acordo com informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde, foram confirmados dois casos até a última sexta-feira (23). Este desenvolvimento acendeu um alerta entre as autoridades de saúde locais, já que, no ano anterior, não havia registros da doença em humanos na região.
A esporotricose é classificada como uma zoonose, pois pode ser transmitida de animais para humanos, com os gatos sendo os principais transmissores. Antes desses casos em Marituba, a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa) já havia contabilizado 21 casos no estado, sendo um em Belém e 20 em Ananindeua. A doença é uma das micoses endêmicas oportunistas reconhecidas pelo Ministério da Saúde, que exige notificação compulsória dos casos.
Aumento de Casos em Belém
Em 2025, Belém enfrentou um aumento significativo nos casos de esporotricose, com 1.547 registros em felinos e 169 em humanos. Comparado a 2024, isso representa um crescimento de 172,4% nos casos em gatos e 108% em humanos, destacando a necessidade de ações de controle e prevenção.
Transmissão e Vetores da Doença
A esporotricose humana é transmitida principalmente por meio do contato com gatos infectados. Estes felinos, ao serem contaminados pelo fungo Sporothrix, tornam-se vetores primários da doença, podendo passá-la para humanos através de arranhões, mordidas ou mesmo pelo contato com suas lesões abertas. Em Marituba, a proliferação da esporotricose tem chamado a atenção das autoridades, especialmente após a confirmação de casos na cidade.
Além dos gatos, a esporotricose pode ser contraída a partir de materiais orgânicos em decomposição, como solos e plantas, locais onde os fungos do gênero Sporothrix são comumente encontrados. Historicamente, a doença era conhecida como 'doença do jardineiro' devido à sua associação com atividades que envolviam manuseio de terra e vegetação. No entanto, com a adaptação do fungo à pele dos felinos, o perfil de transmissão sofreu alterações significativas, tornando os gatos os principais vetores nos centros urbanos.
Sintomas da Esporotricose Humana
A esporotricose humana é marcada por uma variedade de sintomas que podem se manifestar após a infecção pelo fungo Sporothrix. Inicialmente, a doença afeta a pele, apresentando lesões que se assemelham a pequenas pústulas ou nódulos. Estes costumam surgir no local onde o fungo penetrou, geralmente por meio de cortes ou arranhões, e podem evoluir para úlceras dolorosas.
Além das lesões cutâneas, a esporotricose pode ocasionalmente se espalhar para os vasos linfáticos, causando linfangite. Em situações mais severas, especialmente em indivíduos com o sistema imunológico comprometido, a infecção pode atingir órgãos internos, levando a complicações mais graves. A observação atenta dos sintomas e a busca por tratamento médico são essenciais para o controle eficaz da doença.
Diagnóstico e Tratamento da Esporotricose
O diagnóstico da esporotricose humana em Marituba é realizado através de uma investigação clínica detalhada e exames laboratoriais específicos. Os médicos buscam a presença do fungo Sporothrix em amostras de tecido ou fluido das lesões cutâneas dos pacientes. A confirmação laboratorial é crucial para diferenciar a esporotricose de outras infecções de pele.
Uma vez diagnosticada, a esporotricose é tratada principalmente com antifúngicos, sendo o itraconazol o medicamento de escolha. O tratamento é prolongado e pode durar de três a seis meses, dependendo da gravidade e da resposta do paciente à medicação. Em casos mais graves, onde há disseminação do fungo para outros órgãos, pode ser necessário o uso de medicamentos intravenosos.
Importância do Tratamento Precoce
O tratamento precoce da esporotricose é fundamental para evitar complicações e a disseminação da doença. Assim que os primeiros sintomas surgirem, como lesões na pele que não cicatrizam, é recomendado procurar atendimento médico para avaliação e início imediato do tratamento adequado.
A adoção de medidas de controle e prevenção, como o tratamento de animais infectados, especialmente gatos, é igualmente importante para reduzir a transmissão do fungo e proteger a saúde pública.
Fonte: https://www.oliberal.com









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