A prostatectomia, cirurgia para remover a próstata, é um tratamento comum e eficaz para o câncer de próstata localizado. Apesar do sucesso no controle da doença, o procedimento pode causar efeitos colaterais que afetam a recuperação e o bem-estar do paciente.
É fundamental entender esses possíveis impactos e saber como minimizá-los.
Principais efeitos colaterais da prostatectomia
Os efeitos mais comuns da prostatectomia são a incontinência urinária e a disfunção erétil, devido à proximidade da próstata com o esfíncter urinário e os nervos responsáveis pela ereção. Mesmo com técnicas cirúrgicas modernas, essas estruturas podem ser afetadas durante a remoção da glândula.
A incontinência urinária geralmente se manifesta nos primeiros meses após a cirurgia, com escapes ao tossir, rir ou levantar peso.
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A disfunção erétil varia de acordo com a idade, função sexual prévia, doenças preexistentes e o grau de preservação dos nervos durante a cirurgia.
Outros efeitos incluem a redução do comprimento do pênis, causada por alterações no suporte anatômico, e mudanças no orgasmo, devido à ausência de emissão de sêmen.
Apesar desses efeitos, a maioria tende a melhorar com o tempo, com a recuperação gradual da função sexual levando alguns meses.
Recuperação e reabilitação
A cirurgia robótica tem se mostrado promissora na preservação do esfíncter urinário e da inervação, resultando em melhores resultados.
A tecnologia oferece ampliação da imagem em 3D, supressão de tremores e instrumentos delicados, que, combinados com a experiência do cirurgião, são cruciais para o sucesso da preservação.
Para acelerar a recuperação da continência urinária, os exercícios do assoalho pélvico, orientados por fisioterapeutas especializados, fortalecem os músculos responsáveis pelo controle da uretra.
Em muitos casos, o treinamento começa antes da cirurgia para otimizar os resultados. Técnicas complementares como biofeedback e eletroestimulação também podem ser utilizadas.
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A reabilitação peniana é fundamental para a função sexual, incluindo medicamentos inibidores de PDE5, bombas a vácuo e, em alguns casos, injeções intracavernosas.
O objetivo é estimular a oxigenação dos tecidos do pênis nos primeiros meses após a cirurgia, quando a ereção espontânea pode estar reduzida. Quanto mais cedo a reabilitação for iniciada, maiores as chances de uma recuperação satisfatória.
O controle rigoroso de fatores de risco como diabetes, hipertensão, colesterol alto e tabagismo também é essencial, pois eles podem piorar a função erétil e atrasar a cicatrização.
Adotar hábitos saudáveis, como sono adequado, alimentação balanceada e atividade física regular, contribui para a recuperação plena.
Quando os efeitos persistem
Embora muitos pacientes recuperem a continência e a função sexual no primeiro ano, alguns podem apresentar limitações persistentes. Nesses casos, existem opções eficazes.
Para incontinência urinária persistente, dispositivos como slings masculinos ou o esfíncter urinário artificial podem restaurar o controle e a qualidade de vida.
Para disfunção erétil resistente aos tratamentos clínicos, a prótese peniana é uma alternativa segura e com altos índices de satisfação.
Cada paciente responde de forma diferente ao tratamento, dependendo de fatores como idade, estado geral, técnica cirúrgica utilizada, preservação dos nervos e condições pré-operatórias.
O acompanhamento próximo com o urologista é essencial para identificar precocemente eventuais dificuldades e ajustar o tratamento de forma individualizada.
A prostatectomia é uma cirurgia que salva vidas, e os avanços cirúrgicos têm tornado seus efeitos colaterais cada vez mais manejáveis.
Com informação clara, medidas preventivas e reabilitação adequada, a maioria dos pacientes consegue retomar suas atividades, relações e rotinas com qualidade.
O processo exige paciência, orientação e cuidado, mas, quando bem conduzido, os resultados tendem a ser extremamente positivos.
Fonte: https://saude.abril.com.br









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