A sensação de queimação no peito após uma refeição, o gosto amargo na boca ou até mesmo uma tosse persistente podem ser sinais de um problema bastante comum: o refluxo gastroesofágico.
Embora muitas pessoas convivam com esses sintomas sem buscar ajuda, o refluxo pode ir além de um simples desconforto ocasional e se tornar uma condição crônica que impacta diretamente o bem-estar e a rotina diária.
Compreender o que é refluxo, por que ele acontece e quando ele deixa de ser normal é essencial para reconhecer os sinais de alerta e buscar o tratamento adequado.
Neste artigo, você vai entender as diferenças entre o refluxo fisiológico e a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), além de conhecer suas causas, sintomas e formas de tratamento.
O que é refluxo gastroesofágico?
O refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago — que pode incluir alimentos, líquidos, gases e ácido gástrico — retorna para o esôfago.
O esôfago é o tubo que liga a boca ao estômago e não possui a mesma proteção contra a acidez, o que pode causar irritação e inflamação quando esse retorno acontece com frequência.
Esse processo está relacionado ao funcionamento de uma estrutura chamada esfíncter esofágico inferior.
Trata-se de um músculo que atua como uma válvula, permitindo que o alimento chegue ao estômago e impedindo que ele volte. Quando esse mecanismo não funciona corretamente, o refluxo acontece.
É importante destacar que episódios isolados de refluxo podem ocorrer em qualquer pessoa, especialmente após refeições mais volumosas. Nesses casos, não há necessariamente uma doença associada.
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Refluxo fisiológico x doença do refluxo gastroesofágico
Nem todo refluxo é considerado patológico. Existe o chamado refluxo fisiológico, que é uma condição comum e geralmente benigna, especialmente em bebês e crianças pequenas.
Em recém-nascidos, esse fenômeno é bastante frequente devido à imaturidade do sistema digestivo e à maior sensibilidade dos tecidos.
Na maioria das vezes, ele não provoca sintomas relevantes nem traz consequências para a saúde, desaparecendo espontaneamente com o crescimento.
Já a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é caracterizada pela ocorrência frequente do refluxo, acompanhada de sintomas persistentes ou complicações.
Essa condição pode afetar pessoas de todas as idades e é uma das principais razões de procura por atendimento especializado na área de gastroenterologia.
Por ser uma doença crônica, a DRGE pode comprometer significativamente a qualidade de vida, interferindo no sono, na alimentação, no desempenho escolar ou profissional e até na saúde respiratória.
Quais são os principais sintomas do refluxo?
Os sintomas do refluxo gastroesofágico podem surgir minutos ou algumas horas após a alimentação. O sinal mais conhecido é a azia, que se manifesta como uma sensação de queimação no peito ou atrás do osso do esterno. No entanto, os sintomas vão além desse desconforto clássico.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Regurgitação, quando o alimento ou o líquido retorna até a boca
- Dor ou desconforto no peito
- Sensação de queimação frequente
- Tosse crônica sem causa aparente
- Rouquidão ou irritação na garganta
- Vômitos recorrentes
- Dificuldade de ganho de peso e crescimento em crianças
- Infecções respiratórias, como pneumonia, em casos mais graves
É importante lembrar que outras condições podem apresentar sintomas semelhantes, como alterações na sensibilidade do esôfago, sem que haja excesso de ácido. Por isso, a avaliação profissional é fundamental para um diagnóstico correto.
Por que o refluxo acontece?
As causas do refluxo gastroesofágico são variadas e, muitas vezes, envolvem uma combinação de fatores. Um dos principais está relacionado a alterações no funcionamento do esfíncter esofágico inferior, que deixa de impedir o retorno do conteúdo gástrico.
Além disso, outros fatores contribuem para o surgimento ou agravamento do refluxo:
Excesso de peso
O sobrepeso e a obesidade aumentam a pressão dentro do abdômen, facilitando o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago. Estudos indicam que até mesmo uma perda de peso moderada pode resultar em melhora significativa dos sintomas.
Alimentação inadequada
Alguns alimentos e bebidas são conhecidos por favorecer o refluxo, como:
- Alimentos gordurosos
- Bebidas com cafeína
- Refrigerantes e bebidas gaseificadas
- Bebidas alcoólicas
Esses itens podem relaxar o esfíncter esofágico ou estimular a produção excessiva de ácido.
Hábitos alimentares
Deitar logo após as refeições, comer em grandes quantidades e ingerir líquidos durante as refeições são comportamentos que aumentam o risco de refluxo.
Tabagismo e medicamentos
O cigarro e o uso de alguns medicamentos também podem interferir no funcionamento do esfíncter ou na produção de ácido, contribuindo para o problema.
Alterações anatômicas
Condições como a hérnia de hiato ou a fragilidade dos músculos da região abdominal também estão associadas ao refluxo gastroesofágico.
Como é feito o tratamento do refluxo?
O tratamento do refluxo gastroesofágico depende da intensidade dos sintomas e da presença de complicações. Na maioria dos casos, a abordagem inicial envolve mudanças no estilo de vida, que já podem trazer grande alívio.
Entre as principais recomendações estão:
- Perder peso, quando necessário
- Evitar alimentos e bebidas que desencadeiam os sintomas
- Fracionar a alimentação, com porções menores ao longo do dia
- Evitar líquidos durante as refeições
- Não se deitar por pelo menos 2 a 3 horas após comer
Quando essas medidas não são suficientes, podem ser indicados medicamentos que reduzem a produção de ácido pelo estômago, ajudando a proteger o esôfago e aliviar os sintomas.
Em situações mais graves ou quando há contraindicação ao uso de medicamentos, o tratamento cirúrgico pode ser considerado. Além disso, novas técnicas endoscópicas vêm sendo estudadas como alternativas futuras, embora ainda necessitem de mais pesquisas para comprovação de eficácia e segurança.
Quando procurar ajuda especializada?
Se os sintomas de refluxo são frequentes, intensos ou afetam a qualidade de vida, é fundamental buscar avaliação profissional. O diagnóstico precoce permite evitar complicações e iniciar o tratamento adequado o quanto antes.
Ignorar os sinais pode levar a inflamações persistentes no esôfago e a problemas respiratórios, especialmente em crianças.
Conclusão
O refluxo gastroesofágico é uma condição comum, mas que não deve ser subestimada. Entender o que é o refluxo e por que ele acontece é o primeiro passo para reconhecer seus sintomas, adotar hábitos mais saudáveis e procurar ajuda quando necessário.
Com mudanças simples no estilo de vida e acompanhamento adequado, é possível controlar o refluxo, reduzir os desconfortos e melhorar significativamente a qualidade de vida.
O cuidado com a saúde digestiva é essencial para o bem-estar geral em todas as fases da vida.








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